domingo, 9 de agosto de 2009

Divulgação para todos

Ilustra por Cláudia, F de Feltro.

Texto por Cris Paz, blogueira convidada.
Quando pensamos em divulgação, vem logo na nossa cabeça sair com os nosos produtos na grande imprensa. Mas este é apenas um dos canais de divulgação, e nem sempre é o mais indicado. A dispersão é enorme pois falamos com milhares de pessoas, mas quais realmente são consumidores de nossos produtos? Quer um exemplo? Dia desses, uma criação da Chez Cris foi publicada numa grande revista, de circulação nacional, lida por milhares de brasileiros em todo o país. Não recebi um telefonema sequer. Porém, uma nota publicada num blog de uma moça, especializada em terapia floral, gerou vendas e clientes fiéis que adoram a marca e consomem os meus produtos até hoje. Engraçado, né? Isso acontece porque a divulgação foi mais focada, um número menor de pessoas leu, mas as pessoas que leram tinham um potencial de consumo bem maior para os meus ítens.

O mais importante de tudo, é entender que divulgar um produto, independente do tamanho da empresa, está atrelado à estratégia do seu negócio, ou seja, temos que entender direitinho nossa marca, nossos produtos e o perfil dos nossos clientes. Para isso, antes de qualquer coisa pracisamos parar para pensar:

  • Quem é o seu público-alvo? (quem compra? ou tem potencial para comprar?)

  • Qual é a sua área de atuação? (cidade, país inteiro, mercado internacional ?)

  • Quais são os seus objetivos em relação ao craft-business?

Bem, e na prática, o que eu posso fazer ?

Precisaria de muitos e muitos posts, ou talvez até um blog inteiro, para falar sobre divulgação e promoção de produtos/marcas/serviços. Portanto, vou destacar apenas algumas ações, acessíveis para gente como a gente , com orçamento curto e que dão resultado:

* Material de apoio: o primeiro passo para divulgar nossa marca é ter um bom material de apoio. Cartão de visita, queridas, é essencial. Este item não dá para ficar sem de jeito nenhum. O investimento é baixíssimo. Dá para encontrar gráfica que cobram a partir de R$ 19,90 o milheiro. Uma crafter que quer obter sucesso no mundo dos negócios não pode viver sem isso! Os meus andam na bolsa, encontrei uma amiga, antes de ir embora, cartão básico pra ela. Festa dos amiguinhos do seu filho, distribuição de cartão para as mamys e assim vai. Estas gráficas também produzem postais, flyers e catálogos. Atualmente trabalho com esta aqui, que tem bons preços e o resultado da impressão é boa.

* Use seus produtos: Outro dia numa feira de negócios, encontrei uma designer que faz uns colares maravilhosos! Mas olha só que coisa, nunca a vi usar uma peça produzida por ela mesma. Gente, a maior vitrine de nossas criações, somos nós mesmas, nossas casas, filhos, maridos, cão, gato, etc. Não importa se você faz produtos para mulher, para casa ou para criança, o importante é que você seja a primeira pessoa a prestigiá-los, só assim as demais pessoas (potenciais consumidores) irão valorizá-los.

* Parcerias locais: São fundamental para nós crafters que não temos capital para grandes investimentos. Comece com parcerias pelo seu bairro. Quer exemplo de algumas?

- Condomínios: Converse com porteiros e zeladores, peça para eles distribuirem seus flyers. Em troca, pode dar um brinde.

- Banca de jornal: Faça amizade com o jornaleiro, se a balca for legal você pode pedir para ele distribuir cartões ou flyers de sua marca. Em troca, você pode fazer algum produto para ele sortear entre a clientela.
- Salão de cabeleireiro: Se eles promovem sorteios, você pode entrar com os produtos e a dona do salão se encarrega de divulgar. Para concorrerem as clientes devem preencher um cadastro. Esses dados de mailling serão úteis tanto para você quanto para o salão, para futuras promoções e lançamentos.

* Blog: Gratuito e fácil de mexer. O segredo está na atualização do blog, de preferência diária. Nele você pode criar um elo de comunicação com suas clientes e possíveis consumidoras. Várias crafters que frequentam a comunidade do Superziper fazem blogs, tem até um tópico com os blogs no Flickr. Um detalhe que deve ser visto com muito carinho são as fotos dos produtos que vocês colocarão no blog. Uma foto feia pode destruir um produto bacana. Calma, calma... não precisa ser fotógrafo profissional para realizar boas fotos, veja algumas dicas aqui. Na Internet dá para aprender com sugestões para fotógrafos amadores, como nós. Vale pesquisar.

* Networking na Internet: Mantenha bom relacionamento com outros blogueiros. Comente sempre colocando o link para o seu blog. Na Internet a o bom relacionamento contribui demais para a divulgação e gera boca-a-boca, fundamental no mundo dos negócios.

* Rede sociais: Os especialistas de marketing destacam como a última novidade em ferramenta para a divulgação e promoção de produtos pela Internet as "redes sociais". Trata-se de Orkut, MySpace, Flickrs, Youtube, Via6 e blogs. São uma oportunidade de divulgar em larga escala e com forte poder do que eles chamam de "buzz marketing". Um blog com qualidade editorial atrai audiência cativa e, consequentemente, vendas.

* Monte um cronograma de ações de divulgação: Assim você consegue se programar para o ano todo. Leve em consideração datas comemorativas, assim você pode se programar e decidir o que fará para divulgar em cada uma delas.

*Faça um Mailling : É muito importante montar um cadastro de clientes e atualizá-lo sempre. No meu caso quando preciso de atualização, promovo algum sorteio. Preparo um e-mail informando iremos sortear tal produto, para concorrer basta preencher os dados. Ações assim mantêm o meu cadastro de clientes sempre fresco.

***ATENÇÃO! Se estruture para atender a demanda ***

Não adianta nada criar o maior esquema de divulgação se você não tem como atender aos pedidos que chegarem. A pior coisa em qualquer área de atuação é o não cumprimento de prazos de entrega. Por isso, para não “se queimar”, estruture-se!

Dicas de boa leitura

Dois livros que estou lendo atualmente, para aquelas que querem entender um pouco mais sobre divulgação, promoção e marketing:

* Plano de Marketing, de Vicente Ambrósio: Fala sobre todas as etapas para um planejamento. O negócio é entender o conteúdo e adaptar para sua realidade de crafter.

* Marketing Promocional, de João De Simoni Soderini Ferracciu: Um livro bárbaro, com mil idéias de divulgação/promoção.

Gente, para fechar minha participação aqui no Superziper, não percam o post da próxima semana: vendas! Até lá ;)

Dicas de como tornar um hobby em negócio de sucesso

Texto plublicado no blog Superziper, em maio de 2008

por Cris Paz, blogueira convidada do Superziper

Certa vez, num bate-papo com um consultor de orientação empresarial do Sebrae São Paulo, ele me contou que os negócios nascem, principalmente, a partir de dois pontos: da necessidade ou da visão de oportunidade. Os hobbies encaixam-se no segundo item. Vários indicadores mostram que as chances de sucesso de um empreendedor com este perfil são grandes, pois ele tem profundo conhecimento sobre o mercado que escolheu.

Este argumento é bem verdadeiro, afinal quando escolhemos algo que gostamos, sabemos exatamente o que nos atraiu para aquele hobby. Aí vem a fase que pesquisamos muito sobre o tema, ou seja, viramos grandes conhecedoras do assunto. Só isso já ajuda e muito. Ajuda até a superar algumas dificuldades que possam surgir no caminho do negócio, porque nos sentimos mais confortáveis naquela situação. Mas um alerta, o negócio só tem chance de vingar se tiver carácter estritamente profissional: não vá apenas pelo amor à arte, mas também tenha como objetivo o sucesso financeiro, ai sim suas chances serão realmente boas!

Antes de transformar seu hobby em negócio veja algumas dicas importantes que a Stella Reis Ventura - organizadora da mostra/acessórios, evento de negócios que acontece em São Paulo - destacou para o Superziper:

* Entender o mercado - pesquisar é fundamental e por vários meios: revistas, sites especializados; ver o que a concorrência está apresentando e o que as pessoas estão usando e consumindo; saber o que acontece no setor que seu negócio está inserido.

* Pesquisar materiais, novas tecnologias, antigos materiais vistos por novos ângulos.

* Atualização empresarial - freqüentar cursos, quanto mais informação melhor. O Sebrae tem um cronograma bem vasto de cursos e palestras. São indispensáveis para o empreendedor temas como: lucratividade, ponto de equilíbrio, formação de preço e gestão.

* Criatividade – para aqueles que trabalham com o artesanal com característica local/regional tem que se transformar e buscar uma linguagem universal para atender à demanda do mercado, sem perder sua característica essencial de técnicas e materiais de sua região.

* Organização – o empresário tem que ter uma estrutura mínima. Saber treinar funcionários e delegar para poder crescer.

* Administração - ter noções de administração, saber formar custos e preços, desenvolver uma comunicação com o cliente, trabalhar com metas e objetivos. Por isso a importância dos cursos do Sebrae que citei acima.

* Orientação - procurar órgãos de apoio aos pequenos empresários. Como o próprio Sebrae e entidades como a SUTACO, esta última ligada ao governo do Estado de São Paulo. O processo de cadastramento no órgão até que é simples, mas bem burocrático. Veja as etapas:

- Entrevista: levantamento de dados para compor o perfil do artesão e da atividade artesanal

- Apresentação dos produtos e do fazer artesanal (precisa fazer umas três peças lá ou levar três produtos em fases diferentes, assim eles se certificam que é você mesma que faz seus produtos). Quando eu tirei meu registro de artesã, há um ano e meio, meu avaliador foi um rapaz bem simpátic0. Você já sai com carteirinha e tudo mais!

- Avaliação pela Comissão de Avaliação/Compras

- Emissão da Carteira de Identidade de Artesão e registro no banco de dados.

Com a carteirinha na mão, você pode utilizar os serviços da entidade, como: emissão de nota fiscal, obtenção de microcrédito, cursos e orientação jurídica.

* Profissionalismo - entender que para se tornar um profissional competitivo, tem de abandonar as soluções caseiras. Mas afinal, o que isso quer dizer? Quer dizer que sua marca e você precisam ser profissionais. E isso está num pacote de detalhes: uma embalagem bacana, logo, cartão de visita, um canal de divulgação na Internet (pode ser um blog, Flickr, loja virtual, etc) bem feito, etc. Mas calma, para isso não precisa de um investimento alto. Pelo contrário, com criatividade e muito ralação é possível realizar tudo isso e muito mais.

* Não adianta entrar no mercado com os mesmos produtos e serviços oferecidos pela concorrência, ofereça algo novo ao consumidor.

* Não permita que o lado emocional, do qual o hobby está envolvido diretamente, pese mais no negócio.

* Cuide para não misturar a pessoa física com a jurídica.

No nosso próximo bate-papo apresentarei à vocês o trabalho de uma estilista que valoriza em suas coleções as técnicas das antigas costureiras. Até la !

E aí, como vão as vendas?

Texto plublicado no blog Superziper, em maio de 2008

Texto e foto por Cris Paz, blogueira convidada.

Vou começar este texto afirmando: eu queria viver somente das vendas do varejo. Ganha-se mais, tem contato direto com o cliente e o feedback é instântaneo. Opa, acordei! Estamos no Brasil, país que pisa sem dó no microempreendedor, por isso precisamos ter na manga várias "frentes" de vendas, é o que eu faço na Chez Cris. Veja bem, de todos os posts que escrevei para o Superziper, este é o mais pessoal.
Acredito no potencial do mercado para os crafters, tem muito gente talentosa aqui. Precisamos amadurecer, profissionalizarmos e nos unir. Calma, pessoal não é papo de sindicalista não. Deixa explicar. Temos que praticar preços justos aos nossos produtos, respeitar a concorrência (sim, ela é saudável e essencial para não ficarmos acomodados, sabe?), dizer não às cópias, fazer muita (mas muita mesmo!) pesquisa para trazermos itens sempre criativos e surpreendentes, com conceitos e utilidade.

Precisamos de muita garra, força de vontade e persistência para sobreviver com o nosso próprio negócio no Brasil. Mas sabe, não fico pensando nisso e muito menos me lamentando, senão a gente desanima, não é mesmo? Bom, chega de papo e vamos ao que interessa! Isso mesmo, sou prática e direta.
Veja, as dicas que eu mencionarei baixo não são nada demais e nem são regra. Talvez muitas de vocês até já pratiquem todas elas. E o que é bom para mim e para minha Chez Cris, pode não legal para você. Minha dica é sempre absorver o conteúdo e aplicá-lo da sua maneira!
Antes de mais nada: o preço!
Você precisa decidir em quais frentes de vendas que irá atuar, isso influênciará o cálculo do preço final de seu produto. Por exemplo, se for comercializar somente para o varejo, some todos os custos, mais a mão de obra e dobre o valor. Ai você terá o preço final do produto (gente, mais uma vez, isso não é regra, hein! Às vezes, o produto vale mais que o valor final da conta, não tem jeito, tem que aprender a ter feeling para precificar, não é ciência exata, infelizmente)
E se quiser atuar também vendendo para o atacado, deve pensar direito qual será a sua margem para o preço atacado e também para o varejo. Importante, você não deve vender para o varejo com preço inferior do que seu cliente lojista. Exemplo: Vendeu para logista a X, este venderá o produto por XX, você deve vender a XX também, do contrário, seus dias de negócios com o atacado estão contados.
Um resumo das minhas três frentes de venda:
* Vendas no varejo
PREÇO - no meu caso, como trabalho com o atacado também, tenho duas tabelas: uma para os lojistas e outra para o varejo, esta última possui exatamente os preços sugeridos de venda que indico aos lojistas.
FRETE - por conta do cliente. Mas não é regra.
FORMA DE PAGAMENTO - era somente à vista com depósito bancário. Mas perdia vendas, ficava frustada. Agora, tenho PagSeguro Uol, que aceita cartões de crédito e débito.
DESCONTO - só aplico desconto quando a compra é boa e o valor pago à vista.
* Vendas on line
Entendo que é importantíssimo as vendas on line. No caso da Chez Cris, acredito que 90% das vendas para o varejo são on line. Estou começando no Elo7, já tenho loja lá. Mas ainda é cedo para medir o resultado. É um investimento relativamente pequeno, portando mais acessível.
Além disso existem várias plataformas para lojas virtuais que você pode até mesmo montar em seu próprio site. No entanto elas exigem um investimento mensal, o que pode pesar nas dispesas da sua empresa. Mas não descarte, ponha de lado, para planos futuros.
* Vendas atacado
PREÇO - como já falei, trabalho com duas tabelas: uma para atacado e outra para o varejo. Mas vender para o atacado não quer dizer "vender a preço de banana", ok? Tudo tem que ser calculado, é negócio, tem que ser bom para o lojista e para você.
FRETE - por conta do cliente.
QUANTIDADE MÍNIMA - no meu caso aplico um valor mínimo de compras para atacado.
FORMA DE PAGAMENTO - 20 dias
DESCONTO - só aplico desconto quando a compra é boa e o valor pago à vista.
* Desenvolvimento de produtos

Teoricamente seria bem lucrativo desenvolver produtos para marcas e grifes. Talvez em outras partes do mundo até seja. Mas aqui no Brasil é bem difícil, pelo menos segundo as experiências que já tive. Já tentei cobrar um valor fixo pelo desenvolvimento de determinado produto, mais que justo, mas não consegui. As empresas estão mal-acostumadas, elas entendem que se um fornecedor não topar fazer do jeito delas, outro vem e faz. Por isso, seleciono bastante as empresas com que quero trabalhar.

De novo, a escolha é nossa. Quem optar em fazer desenvolvimento deve saber que precisa ter capital para bancar o desenvolvimento e a produção antes de receber o pagamento. Sem contar que é preciso ter estrutura para absorver os pedidos. Por isso, aconselho que antes de entrar neste nicho, estruture-se, fique craque nos demais setores e depois, se achar que vale a pena, tente o desenvolvimento.

* Digo não à consignação
A gente é tão ingênua no início e ao mesmo tempo sonhadora, quer ver os produtos fazendo sucesso nas prateleiras de uma loja bacana. O lojista, esperto, sabe disso e se oferece para ficar com seus produtos em consignação. Eu já caí nesta e digo que para mim não serve. Hoje não trabalho mais com consignação. Só tive experiências ruins, péssimas. Além do lojista não respeitar, ele não cuida das peças. Como não pagou pelos produtos, não faz o mínimo esforço para vender. Eu, pessoalmente, não aconselho.
A nossa vida é feita de escolhas. Você decide! E o melhor, podemos reavaliar nossas escolhas sempre. Se não estiver satisfeita analise e mexa na sua estratégia de venda. Eu mesma já perdi as contas de quantas vezes já mudei de rumo! Faz parte do jogo.
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Por final meu agradecimento :
Andrea e Claudia adorei o convite para ocupar durante um mês este espaço tão querido e respeitados pelas (os) crafters. Assim como abordar técnicas e novas matérias-primas, o tema "negócios" é também muito importante, pois levamos informação para um maior número de leitores e ajudamos a formar o mercado, fortalecendo-o e quem sabe gerando mais e mais negócios justos e lucrativos.
Às leitoras queridas, desejo toda a sorte do mundo nos negócios. E lembrem-se, um produto só acontece quando nós mesmas acreditamos no potencial dele. Escute os seus consumidores!
Bjs e BOAS VENDAS!!!


Cris Paz